sexta-feira, 14 de agosto de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Le cerf-volant
Era fim de julho e eu voltava para casa no 2212A, enquanto o ônibus enchia lentamente, eu acompanhava os últimos raios de sol que iluminavam todo o concreto que cobre o centro da cidade, que àquela hora já não era tão cinza quanto de costume. A cidade estava alaranjada, como só fica nos fins de tarde de inverno.
O ônibus pára em um viaduto, há uma obra a frente, mais uma daquelas obras infindáveis que há anos impedem que eu chegue cedo em casa. A mulher ao meu lado dorme, a cabeça pende para trás e a boca está aberta, ela realmente está dormindo, não consigo entender como alguém consegue dormir num ônibus, em meio aos corpos que se apertam e carregam expressões de cansaço e desesperança.
Olho meu relógio, são 17h47, a cidade está apressada embaixo dos viadutos. Mulheres passam com as sacolas cheias, alguns mendigos se ajeitam em frente à uma loja abandonada, os homens andam a passos largos, catadores de papel passam com seus carrinhos cheios. Alheio a todo esse movimento frenético repetido diariamente ao som do barulho dos motores e iluminado pelo vermelho das lanternas dos carros, ali, bem no meio daquela praça, quase camuflado, um menino solta sua pipa preta que faz desenhos suavemente no céu, bem lá no alto, quase imperceptível aqui debaixo. O menino parece acompanhar o ritmo da pipa, não se importa com o que o espera em casa nem com o que ocorre ao seu redor. É só ele e sua pipa preta.
A cena é um pouco triste, o menino é franzino e tem as roupas velhas, cinza, mistura-se à cidade e garanto que a maioria nem o percebe ali. Mas, no momento, ele é tudo o que eu percebo, me esqueço completamente da cidade que corre lá fora. Isso não dura o tempo que eu gostaria, o ônibus arranca bruscamente, lembrando-me de que é preciso seguir, de que sou parte daquela pulsação. Eu, o menino e a pipa não. Não, ainda não.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Seis dias
Já estou sonhando com minhas férias... encher a mochila de livros novamente, mas com aqueles que se acumularam sobre minha mesa e há meses tenho vontade de ler e não tempo, colocar umas poucas roupas, a câmera, passar para o ipod todos os albuns que não tive tempo de ouvir direito nesse semestre; colocar a mochila nas costas, os fones no ouvido e ir pro Rio. Acordar às nove, olhar pro lado e ver o Cristo pela janela, enrolar na cama, tomar café, descer naquele elevador velho, dizer "bom dia!" pro Luís e comentar qualquer bobagem, parar no letras e expressões pra olhar as revistas, procurar no jornal algum filme ou peça boa pra mais tarde, ficar um pouquinho na praia... saudade da minha roça: Rio de Janeiro, Ipanema, Posto 9.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Sete
Era uma felicidade completa, cheia de inteligência. Até um poucosobrenatural. Não sabia como ela fazia aquilo, mas sorria, nuncaparava de sorrir. E de falar. Se a colocassem na frente de um homemque nunca tinha visto antes, teria assunto pra dias. Mas não erachato, muito pelo contrário, podia passar horas ouvindo-a gesticular.
Confesso que algumas palavras não são completamente verdades,estava um pouco ofuscado. E era linda. 7 tinha manchas de sol pelocorpo que pareciam colocadas nos lugares certos para ocupar a atençãode um homem. Estava mesmo ofuscado.
Eu vou me casar com ela. Não é algo que pensei durante muitotempo, simplesmente veio. E parecia tão simples. E parecia tãocomplicada. E parecia tão linda. Foi tudo muito rápido, não deu muitotempo para raciocinar, ainda bem. Pensar estragaria o momento.
Não falei com ela. Vou ser sincero, faltava coragem, não vontade.Tinha medo de quebrá-la, ou coisa do tipo. Queria colocá-la no bolsoda calça e correr. 7.
Posted by
Luísa!
at
2:21 PM
Marcadores: amigos, literatura


