Era fim de julho e eu voltava para casa no 2212A, enquanto o ônibus enchia lentamente, eu acompanhava os últimos raios de sol que iluminavam todo o concreto que cobre o centro da cidade, que àquela hora já não era tão cinza quanto de costume. A cidade estava alaranjada, como só fica nos fins de tarde de inverno.
O ônibus pára em um viaduto, há uma obra a frente, mais uma daquelas obras infindáveis que há anos impedem que eu chegue cedo em casa. A mulher ao meu lado dorme, a cabeça pende para trás e a boca está aberta, ela realmente está dormindo, não consigo entender como alguém consegue dormir num ônibus, em meio aos corpos que se apertam e carregam expressões de cansaço e desesperança.
Olho meu relógio, são 17h47, a cidade está apressada embaixo dos viadutos. Mulheres passam com as sacolas cheias, alguns mendigos se ajeitam em frente à uma loja abandonada, os homens andam a passos largos, catadores de papel passam com seus carrinhos cheios. Alheio a todo esse movimento frenético repetido diariamente ao som do barulho dos motores e iluminado pelo vermelho das lanternas dos carros, ali, bem no meio daquela praça, quase camuflado, um menino solta sua pipa preta que faz desenhos suavemente no céu, bem lá no alto, quase imperceptível aqui debaixo. O menino parece acompanhar o ritmo da pipa, não se importa com o que o espera em casa nem com o que ocorre ao seu redor. É só ele e sua pipa preta.
A cena é um pouco triste, o menino é franzino e tem as roupas velhas, cinza, mistura-se à cidade e garanto que a maioria nem o percebe ali. Mas, no momento, ele é tudo o que eu percebo, me esqueço completamente da cidade que corre lá fora. Isso não dura o tempo que eu gostaria, o ônibus arranca bruscamente, lembrando-me de que é preciso seguir, de que sou parte daquela pulsação. Eu, o menino e a pipa não. Não, ainda não.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Le cerf-volant
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Seis dias
Já estou sonhando com minhas férias... encher a mochila de livros novamente, mas com aqueles que se acumularam sobre minha mesa e há meses tenho vontade de ler e não tempo, colocar umas poucas roupas, a câmera, passar para o ipod todos os albuns que não tive tempo de ouvir direito nesse semestre; colocar a mochila nas costas, os fones no ouvido e ir pro Rio. Acordar às nove, olhar pro lado e ver o Cristo pela janela, enrolar na cama, tomar café, descer naquele elevador velho, dizer "bom dia!" pro Luís e comentar qualquer bobagem, parar no letras e expressões pra olhar as revistas, procurar no jornal algum filme ou peça boa pra mais tarde, ficar um pouquinho na praia... saudade da minha roça: Rio de Janeiro, Ipanema, Posto 9.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Amélie
Em janeiro recebi dois desafios: dizer sim à tudo e reparar nas pequenas coisas. Resolvi aceitar o segundo, essa semana, então aí estão as pequenas coisas bobas que me deixaram feliz esses últimos dias: ir a pé até o subway e comer um melt à malidax sozinha, voltar e ficar conversando no xerox vazio, encontrar o cara legal no ônibus, ver uma joaninha voando, reencontra pessoas na auto escola, conversar sobre design com o cara que conheci na auto escola, conversar com o porteiro na aliança francesa, conseguir um horário bom pras aulas de francês, descobrir um atalho pra voltar da aliança, ver uns caras fazendo malabarismo no coreto da praça da liberdade, ver a fonte ligada e passar por ela enquanto o vento jogava algumas gotas em mim, andar do outro lado da rua e descobrir uma casa antiga e um cartório, conversar na porta do xerox lotado, encontrar a Raissa no ponto de ônibus, receber uma boa notícia por e-mail. :) E descobrir, por acaso, o novo CD do Luísa mandou um beijo:
Stay beautiful, não se esqueçam do que a Sarah disse! *:
sábado, 17 de janeiro de 2009
She & Him
Ontem eu percebi que tenho mais amigos que amigas. Me sinto bem mais a vontade entre um grupo de homens falando bobagem que entre um grupo de mulheres falando sobre maquiagem. E sim, eu consigo ir pra um bar, me sentar entre um monte de caras e rir, rir muito, sem pensar em quem eu quero pegar. Ter amigos é melhor. Você já escutou quais são os papos de mulher? Um saco. Tá que conversar sobre certas coisas no banheiro é ótimo, mas pra que estender essas conversas por uma tarde inteira? Por que você não consegue conversar sobre livros, discos e filmes? Tem que ser sempre sobre como ela está gorda e mesmo assim não tem bunda ou sobre algum cara. Tá, eu sou mulher e tenho também essas conversinhas (não sobre como estou gorda, haha), mas não o tempo todo. Eu quero humor negro, sarcasmo, merdas, violão na praça da liberdade sentados no chão. Quero sair andando por aí de madrugada, rindo, rindo, rindo, ir comer qualquer bobagem e não escutar reclamações acerca das calorias, quero me sentar num banco da praça, olhar pro céu, lembrar uma música e cantar desafinado, quero declamar um poema que meus amigos odeiam enquanto eles gritam implorando pra eu parar, quero entrar no banheiro do belas artes e constatar que eu estou feliz demais ao invés de que meu cabelo está uma bagunça, quero apostar corrida pelas ruas da savassi à noite. Mas eu também quero ir pro cineclube assistir um filme qualquer e morrer de chorar ao lado de uma amiga, pra depois sairmos rindo e irmos tomar qualquer coisa, quero alguém que tenha papos de banheiro comigo na hora certa, alguém que me mostre que ser dramática é algo muito normal, alguém que escute meus dramas e não me proponha uma solução tão racional, alguém que concorde comigo, alguém que declame aquele poema comigo, que vão ao banheiro do belas artes e ria enquanto constatamos que estamos felizes, que diga que eu peguei o cara mais bonito da festa, alguém que também goste de violão e praça da liberdade, alguém que vai inventar uma desculpa qualquer quando vir que eu estou quase chorando porque o idiota está tentando me torturar, afinal o que ele foi fazer com ela lá, aquele dia? Eu preciso de uma amiga que me mande e-mails, que me ligue pra dizer que aquele filme idiota que eu gosto estava passando e que ele é, oficialmente, o filme mais estúpido que ela já viu, só eu mesmo pra comprar um filme daquele, enquanto eu estava estudando pra uma prova. Eu preciso de alguém que ache minha magreza a coisa mais linda do mundo e diga que pareço uma supermodelo, que adore meus monólogos e ache meus planos de ir pros lugares menos turísticos do mundo a coisa mais incrível, preciso daquela pessoa que sorria, abra os braços e largue tudo pra sair correndo e me abraçar. Sabe, eu preciso de amigos, amigas e amig_s. E eu tenho. Obrigada.
sábado, 3 de janeiro de 2009
Aponta pra fé
O ano acabou, as festas acabaram, as aulas acabaram e também os motivos pra ir àquele colégio. A segunda etapa chegou, eu mal estudei. Só remando mesmo.
domingo, 23 de novembro de 2008
Comprovei minha tese de que você não precisa se matar de estudar e nem esquecer que vida social existe, em ano de vestibular, com meu resultado da puc. Recusei-me a estudar em todos os simulados da escola, minha maior nota foi 59 em 64. Muitos que tiravam bem mais que eu, na prova da puc, que estava ridícula, ficaram com menos ou, no máximo, três pontos a mais que eu. Losers! :)
Agora tenho que estudar nessas últimas semanas pra garantir minha vaguinha na ufmg. Depois de toda uma vida sendo nerd, eu mereço. A maioria só começou a pegar num livro no terceiro ano ou, quando muito, no segundo ou primeiro. Desde pequena eu quase morria quando não conseguia fazer uma questão ou quando um trabalho não ficava como eu esperava, até trabalho de cursinho de inglês!
Pelo menos pensando nisso eu esqueço outras coisas bem humilhantes da semana passada. Pra eu não esquecer: nunca, nunca mesmo, escolha o piorzinho achando que vai ser mais fácil. Se não der certo, melhor que seja com algo bom e difícil, é menos humilhante, hahahaha.
domingo, 5 de outubro de 2008
Nesta semana matarei todos os aprofundamentos de terça e quarta e passarei toda a tarde da segunda na UFMG, pra palestras sobre 1968. Foda-se a prova de segunda à noite, foda-se as maravilhosas aulas do pinta que irei perder e mesmo as de filosofia. Ui, que rebeldia! Agora vou voltar pro meu livro, odeio domingos.
sábado, 30 de agosto de 2008
domingo, 24 de agosto de 2008
A little bit Collin
Estava lendo uns diários antigos hoje, bem antigos, na verdade, de quando eu estava na terceira e quarta séries, é engraçado ver como continuamos a mesma coisa. Me lembrei de tanta coisa hoje... a lembrança mais antiga que tenho é de Brasília, acho que é a mais antiga porque morei lá quando tinha uns três anos. É de quando ganhei uma vassourinha de uma vizinha. Eu estava brincando de casinha com minha babá, numa espécie de cabana coberta por uma trepadeira rosa, que tinha no meu condomínio, ou que pelo menos eu acho que tinha, e essa tal vizinha que nem ao menos me recordo do rosto me deu a vassourinha. Lembro também de ver os meninos mais velhos andando de patins na quadra. Do parquinho, onde eu brincava com areia e de uma espécie de banca que vendia leite. O que é verdade de fato não sei. Lembro quando estava de férias, aqui em BH, na casa da minha avó, de quando tirei uma foto. Eu de banho tomado, com uma roupa vermelha e amarela, o cabelo penteadinho, em frente à sala de jogos, a dona Vera ao lado da minha avó, falando alguma coisa e rindo, como sempre. Acho que não tenho nenhuma foto com a dona Vera. Ela veio aqui em casa há alguns anos, dela nunca vou me esquecer. Ela me dava o almoço na boca, quando eu era pequena, contando histórias, eu adorava as histórias da dona Vera. Ela fazia penteados em mim enquanto eu via televisão, antes de ir pra escola. E ficava comigo e minha irmã na porta, durante o mês em que fomos de escolar pra escola. Essas são minhas lembranças mais antigas, eu costumava ter uma boa memória, não a tenho mais. Tenho um álbum que nunca usei, enorme, ganhei quando fiz quinze anos de uma funcionária da minha mãe. Assim que tiver tempo vou revelar um monte de fotos dos últimos anos, não quero me esquecer deles.
sábado, 23 de agosto de 2008
... o coração não sente.
Há meses meu last.fm não é atualizado, a última vez deve ter sido ano passado. É engraçado como as coisas mudam em tão pouco tempo e o que o último dos melhores anos da nossa vida, como todos insistem em dizer, pode fazer. Eu definitivamente mudei muito, apesar de que algumas coisas, como meu amor por advérbios e hipérboles, sejam eternas. Não tem um só dia que eu não deseje voltar pra fevereiro e fazer tudo diferente. Acho que perdi o foco há um tempão, o problema é que agora é tarde. Queria que tudo fosse como há dois anos. Eu era feliz. Não que minha vida tenha se tormado uma merda e que eu esteja à beira da depressão. Mas eu tinha tudo o que precisava e só aquilo, nenhuma preocupação, nenhuma obrigação, tudo o que tinha em mente era o que fazer na próxima sexta ou pra onde ir depois da prova de sábado. Contava os dias pra dezembro, quando todos os dias seriam sexta. Agora prefiro ignorar as contagens que a Marcinha faz, tudo o que não quero é que o ano letivo acabe. Não é pânico de vestibular e nem síndrome de Peter Pan. Eu só não queria que as coisas mudassem tanto e tão rápido. Parece que quanto mais o tempo passa, mais elas mudam. Parece que isso é cada vez mais inevitável. A distância de dois mil e seis não é só temporal. O rio é sempre o mesmo, nós também. Queria não ter passado a enxergar. (Talvez isso seja um efeito colateral da overdose de Everwood.)
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
E eu com isso?
Depois de tempos sem postar, não por falta de vontade, várias vezes tentei escrever algo decente, mas não saía nada, estou de volta. Agora meu tempo está dividido com o "E eu com isso?", uma espécie de jornal, idealizado pela malidax, cuja primeira edição, anônima e ilegal entrou pro "sistema" logo depois do primeiro horário da terça (foi colado no mural do terceiro ano segunda à noite, após a prova, umas 21hrs), depois da adesão do pessoal de letras e minha, afinal colaborei na primeira edição com um desenho e apoio moral, a segunda edição já está sendo preparada. Tema: eleições. E uma entrevista com o Carlão, um dos melhores professores de história daquela escola, talvez o melhor que já tive. A entrevista foi ótima, vou postá-la aqui, mas depois. Estou morrendo de sono. A propósito, acabei de me inscrever pro concurso de vestibular da UFMG, agora concorro com mais uns vinte pra uma vaga no curso de direito, diurno, wish me luck.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
(não) Esquecimento
Sexta: Plantão de história da África, ou seja, ficar na escola até 17:40; poker na casa da nunna.
Sábado: Francês, festa junina do Santa Marcelina e festa da Sofia.
Domingo: almoço, família... o de sempre.
Segunda: prova de história aberta e física fechada.
Faltou só o tempo pra estudar para as provas.
Aproveitando a data, alguns sites que copiei de uma revista mês passado, numa das quartas que fico cinqüenta minutos fazendo nada, sozinha, na biblioteca, esperando o laboratório da minha irmã acabar. www.socioambiental.org, www.oeco.com.br, http://verbeat.org/blogs/facaasuaparte, http://mudeomundo.com.br, http://esquecimentoglobal.blogspot.com, http://outraagricultura.blogspot.com, http://apocalipsemotorizado.net, www.ambientebrasil.com.br. Aproveitem!
sábado, 31 de maio de 2008
Hoje foi o último ensaio pra quadrilha, então tive que aparecer por lá e matar minha segunda aula de francês seguida, pelo menos pude dormir alguns minutos a mais. Eu não ficava tão cansada assim quando era pequena, o sedentarismo está acabando comigo. Queria ter ido ao show do João, só de pensar que eles podem estar tocando "Dancing with myself" uma hora dessas dá uma raiva de não estar lá... e ainda tenho que estudar, muito. Mas até agora só enrolação e mario world na internet.
domingo, 4 de maio de 2008
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Eu tenho o péssimo hábito de sair fuçando comunidades e lendo tópicos, hoje tive que me segurar pra não entrar numa comunidade (fashion-core) só pra discutir. Tive que me segurar porque o assunto já tinha mudado, não ia voltar na discussão. Primeiro: sou indiferente à rap, mano, Avril e playboy. Não gosto, mas não odeio, na mesma intensidade. Leiam, então, o que o Marcelo e a Kitty dizem: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=16439848&tid=2580387289542391271&na=1&nst=1 . Eu realmente não acreditava que existiam pessoas com coragem de expor uma opnião dessas, vivo numa bolha mesmo, mas agora, aproveitando o que a malidax disse no teatro do primo dela, ploc! saí da bolha. Isso aqui vai continuar essa merda mesmo, e a tendência é piorar. Estereótipos são uma merda, os filhinhos-de-papai riquinhos que se envolvem em tudo quanto é tipo de bosta e aqueles caras de terno lá em Brasília devem adorar um rap.
domingo, 27 de janeiro de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Avesso
Nunca foi muito de ganhar, na verdade, sempre evitou competições, não muito pelo medo de perder, mas pelo medo de ganhar. Desde pequena achava que deveria preteger quem gostava e qualquer um que estivesse sofrendo. Sempre quis pegar as dores de todos, pra ver se esquecia-se das próprias. Nunca foi muito de mostrar o que sentia, fingia que não ligava, e pelo jeito passava bem essa impressão. Meteu-se em um monte de brigas por causa de suas convicções avessas. Brigava pelos outros. Até mesmo com os outros. Ela só queria o melhor, mas não percebia que causava justamente o oposto. Então percebeu. Percebeu o quão patética era. Queria mudar. Mas tinha medo de mudar. Tinha vergonha de mudar. Não mudou. Nem vai. Algumas coisas não mudam. Talvez seja melhor assim. Talvez deva ser assim. É bom pensar que sim.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Ódio à biologia

