Abriu a porta de casa, jogou o casaco num canto qualquer, tudo o que desejava era deitar e não levantar tão cedo. Nem chegou a se atirar no sofá e teve que subir correndo as escadas, as janelas dos quartos estavam abertas e o vento forte fez duas portas baterem. Parou a porta do quarto da direita ao ouvir o barulho de vidro quebrando. Demorou algum tempo para abri-la, não queria ver aquela foto sob os cacos do porta-retrato, embora todos aqueles sorrisos e a união que aquela foto representava já estivessem quebrados, ela gostava de passar horas olhando-a, era como se esses últimos dois anos não tivessem existido, tudo era mais bonito, tudo era mais alegre. Então abriu, o porta-retrato estava inteiro, pelo jeito o vidro era mais resistente que aquilo que há dois anos ela jurava durar pra sempre. Dessa vez não demorou muito olhando a foto, nem sequer colocou o porta-retrato no lugar, deixou lá, desmontado, em cima da cama, e correu pra fechar a janela do outro quarto. Vendo suas fotos balançarem no painel por causa do vento, seus móbiles girando sem parar e ouvindo a janela de vidro bater inúmeras vezes, ela finalmente entendeu. O quê e o porquê ainda não sabe, talvez fosse o azul que saída da tv e coloria o quarto. Mas ela sorriu, voltou para o porta-retrato, era pra sempre.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
...
Cansei, preciso ir pro rio, logo. Só quero terminar de matar a saudade de algumas pessoas. Só algumas (bem poucas) pessoas me fazem querer ficar. Uma em especial me faz ficar desesperada pra dia vinte e cinco chegar, eu entrar no carro e ir embora. Não que eu não queira ir pra lá, não que eu não sinta falta da chaika e do koni, de andar na praia de noite, da lagoa, das livrarias, da toca do vinícius, do mam. Mas o principal motivo pra eu querer ir é estar longe. Eu não quero fugir de nada, na verdade é bem o contrário. Quero entender algumas coisas que estando aqui não vou entender, quero poder sair sem ter que encontrar pessoas que não ajudam em nada. Cansei de algumas, talvez eu tenha mudado muito e elas também. Cansei de incertezas, não quero que isso acabe como de costume, mas não sei o que fazer pra que isso mude. Talvez lá eu descubra.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Avesso
Nunca foi muito de ganhar, na verdade, sempre evitou competições, não muito pelo medo de perder, mas pelo medo de ganhar. Desde pequena achava que deveria preteger quem gostava e qualquer um que estivesse sofrendo. Sempre quis pegar as dores de todos, pra ver se esquecia-se das próprias. Nunca foi muito de mostrar o que sentia, fingia que não ligava, e pelo jeito passava bem essa impressão. Meteu-se em um monte de brigas por causa de suas convicções avessas. Brigava pelos outros. Até mesmo com os outros. Ela só queria o melhor, mas não percebia que causava justamente o oposto. Então percebeu. Percebeu o quão patética era. Queria mudar. Mas tinha medo de mudar. Tinha vergonha de mudar. Não mudou. Nem vai. Algumas coisas não mudam. Talvez seja melhor assim. Talvez deva ser assim. É bom pensar que sim.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Top 5 7
Top 7 - Bandas que me fazem rir
The quiet front (por favor, a banda é de VANUATU! Só de ficar procurando o país no mapa já foi engraçado)
Regina Spektor (http://www.youtube.com/watch?v=cdhcW7LMjoE)
Scout Niblett
The Rumble Strips
Arrah and the Ferns
Bonnie ‘Prince’ Billy
Julie Doiron (http://www.youtube.com/watch?v=Uo5FLoq4kFk)
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Nem nós
Final de ano e eu resolvi ver o que realmente há e não o que eu conheço. Eu estava por aí no orkut e vi uma comunidade que me lembrou algo que pode ter sido exatamente meu maior erro. Na comunidade descobri que é uma música do Ramirez "Você nao vê? / As vezes que eu falei pra me esquecer / É so desculpa pra tentar saber se ainda sou / O que você sempre será pra mim". Era exatamente isso que eu sentia e fazia. Ele me passava toda a segurança que alguém poderia ter, mas mesmo assim, por causa dos meus conceitos pré formulados e do medo de o que os outros iriam pensar, eu não queria. Mas devia ser realmente muito forte, porque eu fiquei em dúvida, e tudo que desejava era que ele fizesse algo realmente. Acabou que eu perdi, tive outras chances de recuperar, mas perdi de vez. Agora mudou e eu gosto de como está, mas ainda me incomoda a idéia de que esse pode ter sido meu maior erro. A amizade dele hoje é algo que eu não trocaria, eu gosto tanto dele, admiro tanto, tenho sempre tanta coisa pra dizer a ele... é o único cara de quem meus amigos gostam, de todos que já conheceram. E o mais incrível que eu já conheci também. Talvez eu tenha errado, mas foi o melhor erro que já cometi, é mais do que um amigo, pelo menos pra mim. Faria qualquer coisa por ele. Não preciso citar o nome, ele sabe, eu sei, isso basta. "ninguém vai mudar nós dois".
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Ontem não poderia ser mais perfeito. Foi completamente o oposto do esperado, fiquei a maior parte do dia conversando com pessoas que eu não esperava que fossem e evitei uma pessoa, coisa que não pensei que conseguiria fazer, e o primo ainda me arrumou um gatchênho na volta, hahahaha, da próxima vez prometo não me esconder. Então parece que aquela história das borbotas e do jardim é mesmo verdade, em parte, porque eu não dei uma de jardineira e mesmo assim a borboleta veio, né? Então meu dia não poderia ter sido melhor e sexta vai ser ótimo. E espero que o primo esteja certo sobre as festas ano que vem e que elas começem logo. Mas talvez eu não precise delas. Até lá a segunda etapa do vestibular já passou e eu terei com quem ir, rá!
